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Entrevista exclusiva | Nova estratégia global da Signify! Yin Kang decodifica em profundidade

Fonte: China Light Leituras: 5226

Recentemente, a Signify divulgou seus resultados financeiros do segundo trimestre de 2026. Trata-se do primeiro relatório trimestral que apresenta o desempenho operacional sob o novo framework estratégico global da empresa, baseado no modelo de portfólio duplo BUILD (Cultivo) e HARVEST (Colheita), anunciado em junho.

Como líder mundial na indústria de iluminação, com uma herança de 135 anos da Philips, as escolhas estratégicas da Signify sempre despertam grande atenção. Embora a nova estratégia já tenha sido apresentada há algum tempo, muitos profissionais chineses ainda não estão familiarizados com essa nova lógica de segmentação de negócios. Por isso, nos últimos dias, Hong Bing (Lao Hong), editor-chefe da China Light Media, realizou uma entrevista exclusiva com Yin Kang, CEO da Signify para a Grande China, solicitando-lhe uma análise aprofundada sobre a lógica industrial por trás dessa estratégia e sobre os planos da empresa na China.

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Yin Kang, CEO da Signify para a Grande China

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Na conferência dedicada ao mercado de capitais, a Signify apresentou o tema estratégico “mais foco, mais eficiência”. Na sua opinião, quais são as premissas subjacentes a essa estratégia? Qual é o núcleo central da estratégia?

R: Nos últimos anos, o setor tem enfrentado múltiplos desafios — volatilidade macroeconômica, concorrência de preços e rápida evolução tecnológica. O cenário competitivo das categorias tradicionais vem se consolidando, enquanto os segmentos de alto valor, como a iluminação conectada e soluções especializadas para diferentes ambientes, continuam a expandir-se. Percebemos claramente que a lógica de crescimento do setor mudou: deixou de ser a expansão de escala universal e passou a centrar-se na elevação estrutural de valor. Nesse contexto, entendemos que só concentrando recursos nas áreas onde possuímos vantagens competitivas fundamentais e adotando estratégias diferenciadas adequadas ao ciclo de vida de cada negócio é possível manter a resiliência operacional ao longo dos ciclos econômicos.

A proposta de “mais foco, mais eficiência” não representa, essencialmente, uma redefinição da Signify; trata-se, antes, de tornarmo-nos melhores — mais próximos das necessidades dos clientes, mais focados no portfólio de negócios e com capacidades operacionais aprimoradas —, permitindo-nos aproveitar melhor as oportunidades futuras. Esse enfoque central manifesta-se em dois níveis principais:

Primeiro, a concentração no portfólio de negócios: delineamos claramente duas grandes frentes — BUILD (Cultivo) e HARVEST (Colheita) —, definimos seis decisões estratégicas específicas para cada grupo de negócios e alinhamos rigorosamente a alocação de recursos com essa lógica.

Cultivo: inclui o crescimento dos negócios de iluminação residencial, com ênfase na transformação digital e inteligente da iluminação profissional, bem como nos avanços em novos segmentos de alto valor, onde detemos vantagens competitivas significativas e continuaremos a ampliar os investimentos;

Colheita: refere-se principalmente às categorias tradicionais, cujas tecnologias já atingiram maturidade, mas cujo crescimento está desacelerando, como fontes de luz convencionais e tecnologias em fase de saturação. A Signify buscará maximizar o fluxo de caixa desses produtos por meio de projetos de otimização de valor, reinvestindo os ganhos nos negócios em fase de cultivo.

Segundo, a melhoria da eficiência operacional: adaptamos estratégias distintas para cada tipo de negócio, buscando maximizar a alavancagem operacional em áreas com potencial de crescimento e, ao mesmo tempo, fortalecer a execução por meio da simplificação organizacional, promovendo a melhoria contínua da qualidade operacional e gerando valor de longo prazo para clientes, parceiros e toda a cadeia produtiva.

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A nova estratégia coloca a “iluminação conectada” em posição central, afirmando que ela “está próxima do ponto de inflexão do crescimento de mercado”. Quais são os fundamentos dessa avaliação?

R: Essa conclusão resulta do acompanhamento de longo prazo do mercado global e do desempenho dos nossos negócios. Observamos alguns dados-chave: no segmento profissional, a penetração da iluminação conectada entre os equipamentos instalados atualmente ainda gira em torno de 10% a 15%; no segmento residencial, esse índice é ainda mais baixo. No entanto, graças à experiência centenária da Philips em óptica e tecnologias de conectividade inteligente, os produtos de iluminação inteligente da marca vêm registrando um forte impulso de crescimento — tomando como exemplo o mercado holandês, o número médio de dispositivos Hue por residência passou de 11 em 2022 para 17 em 2026. Além disso, mais de 40% das vendas do segmento profissional da Signify já correspondem a produtos conectados, com taxas de crescimento comparáveis superiores a 10% entre 2024 e 2025, evidenciando um claro potencial de expansão.

Isso indica que a iluminação conectada está saindo da fase exploratória — de “zero a um” — e entrando na etapa de escalonamento — de “um a dez”. O segmento encontra-se, de fato, num limiar de adoção em larga escala, com bases sólidas para um crescimento substancial do mercado.

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Na nova estratégia, qual é o papel da China? Que prioridades serão adotadas na implementação da estratégia global no mercado chinês?

R: Os produtos de iluminação da marca Philips chegaram à China já na década de 1920, e o país sempre foi um mercado-chave fundamental na estratégia global da Signify, figurando também entre os 35 países prioritários desta nova abordagem. A principal estratégia da Signify para a China consiste em cultivar o crescimento. O mercado chinês de iluminação combina grande escala com forte dinamismo inovador: conta com a cadeia industrial mais completa do mundo e abriga aplicativos digitais de ponta. Assim, ajustaremos nossa estratégia às características locais, adotando um planejamento detalhado e adaptado à realidade chinesa.

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Loja‑bandeira da Philips Lighting em área urbana

Vamos dar ênfase a algumas frentes principais:

Primeiro, a iluminação conectada e luminárias de alta qualidade voltadas ao consumidor final; aproveitando a influência da marca Philips, continuaremos a expandir ecossistema de iluminação inteligente da Philips, lançando produtos que atendam plenamente à estética e aos hábitos de uso dos consumidores chineses, oferecendo serviços de acordo com as preferências do público local;

Segundo, a transformação inteligente da iluminação profissional, incorporando IA na gestão de operações e manutenção, reduzindo os custos ao longo do ciclo de vida e o impacto ambiental para o usuário final;

Terceiro, o desenvolvimento de segmentos de alto valor agregado, como cidades inteligentes; nessas aplicações, além das exigências de qualidade da iluminação, destacam-se requisitos mais elevados de integração de sistemas e capacidade de prestação de serviços no local — áreas em que a Signify possui vantagens tecnológicas e de marca.

Quarto, o desenvolvimento conjunto de fabricantes e parceiros. Desde a Philips até a Signify, nosso crescimento na China sempre esteve intrinsecamente ligado aos parceiros de diversos setores; na nova estratégia implantada na China, a orientação continua sendo o cliente.

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Como CEO da Grande China, poderia revelar como a Signify planeja definir as prioridades de inovação para os próximos períodos? E como pretende fortalecer o mercado chinês?

R: A essência da inovação é criar valor para o cliente, não perseguir a tecnologia por si só. O plano de inovação da Signify sempre se articula em torno de duas linhas principais: uma, explorar tecnologias de ponta que liderem o setor; outra, aprimorar a eficiência e a experiência do cliente.

Para os próximos períodos, nossa inovação se concentrará em quatro direções principais:

Primeiro, a integração profunda entre IA e tecnologias conectadas; por exemplo, após o lançamento, em 2025, do primeiro agente de IA generativa do mundo voltado especificamente para a indústria de iluminação — o GenAI —, e sua primeira aplicação integrada ao sistema de iluminação conectada Interact, a Signify está agora inserindo profundamente esse agente em todo o processo, desde P&D, passando pela cadeia de suprimentos e produção, até o atendimento ao cliente. Em P&D, usamos IA para acelerar a iteração de produtos; no atendimento ao cliente, a IA proporciona experiências de iluminação e serviços de manutenção mais inteligentes.

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O sistema Interact City Flex, equipado com o agente GenAI, já foi implantado com sucesso no projeto de iluminação pública do Parque de Alta Tecnologia de Dalian

Segundo, aprofundar continuamente os projetos de otimização de valor: destinamos uma parcela significativa dos recursos de P&D à melhoria e atualização dos produtos existentes, utilizando inovações em materiais, otimizações estruturais e aperfeiçoamentos de processos, aumentando a relação custo-benefício sem comprometer a qualidade;

Terceiro, ampliar o valor da luz: explorar continuamente temas como iluminação saudável, iluminação centrada no ser humano e a integração entre luz e espaço, descobrindo novos valores da luz em dimensões como saúde, emoções e produtividade.

Por fim, fortalecer a capacidade de inovação local: a inovação não se limita apenas ao produto, mas também ao modelo de negócio. Precisamos intensificar a colaboração com nossos parceiros, oferecendo serviços mais ágeis e eficientes para atender diretamente aos consumidores e usuários finais.

A China é parte integral da rede global de inovação da Signify. Nossa equipe de P&D na China não apenas assume a responsabilidade de adaptar tecnologias globais ao contexto local, como também desenvolve inovações personalizadas para atender às demandas específicas do mercado chinês. De fato, muitos projetos são inicialmente validados pela equipe chinesa antes de serem expandidos globalmente; esse modelo de inovação — “na China, para a China, e depois irradiando para o mundo” — constitui um ativo crucial da nossa nova estratégia.

Conclusão

Através da conversa aprofundada com o Sr. Yin Kang, percebemos claramente a firmeza e a reflexão por trás da nova estratégia da Signify: em meio a ciclos de ajustes e turbulências do setor, essa líder global de iluminação não se deixou levar pelas flutuações de curto prazo, mas, com autoconhecimento mais claro, alocação de recursos mais precisa, gestão de negócios mais refinada e execução mais pragmática, ancorou uma trajetória de desenvolvimento pautada pelo longo prazo. Esse é precisamente o legado construído ao longo de 135 anos de confiança na marca, inovação tecnológica e visão global da Philips.

É importante notar que, nesta rodada da estratégia global, o mercado chinês já deixou de ser apenas um contribuidor de escala; tornou-se também um laboratório de inovação e um polo ecossistêmico. A Signify está promovendo uma integração mais profunda entre o conhecimento técnico acumulado globalmente e as demandas específicas do mercado chinês. Essa abordagem de “visão global, raízes locais” permite que a cadeia produtiva chinesa, os parceiros de canal e os clientes finais compartilhem diretamente os benefícios da atualização estratégica da empresa.

Para a indústria chinesa de iluminação, a lição principal dessa estratégia da Signify talvez seja: quando o mercado de crescimento se converte em mercado de estoque, e a iluminação geral tende à saturação, as empresas não precisam perseguir cegamente todas as tendências emergentes; em vez disso, devem retornar à essência do negócio — avaliar suas próprias vantagens competitivas.



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